sábado, 31 de janeiro de 2009

ESTOU FARTO, PORRA!

Eu bem andava a dizer que não via televisão, e antes me resumia a trabalhar para resolver a crise.
Vai daí, hoje vejo as notícias de SIC e vejo que um tipo aqui da terra onde resido (Samora Correia) que estando desempregado há uns anos atraz, decidiu criar uma associação que recolhia as tampas das garrafas de plástico e em troca comprava cadeiras de rodas para os deficientes no Ribatejo. O homem (HOMEM com letra grande) arranjou diretamente 19 toneladas e mais de 50 de outras organizações e movimentos, totalizando mais de 51 mil euros que serviram para comprar cadeiras de rodas e outros equipamentos ( a preços de tabela a dar montes de lucro aos fabricantes da industria de equipamentos que tem excelentes margens de lucro) e distribuir pelos pobres e necessitados que precisavam das ditas cadeiras, para as quais na minha casa eu e a minha mulher pagamos mais de mil euros por mês para a segurança social que era suposto ser ela a pagar esses equipamentos para deficientes, já que eu quando quero ir ao médico tenho de ir ao médico privado porque no centro de saúde morria três meses à espera de uma consulta (isto é um roubo aos meus impostos e ao meu dinheiro que o Estado me faz, me rouba, e sem vergonha usa para pagar aos funcionários do centro de saúde que estão lá para arranjar maneira de eu ir aos médicos privados e deixar de os chatear e a outros interesses na industria).Como já viram, pagamos impostos para um Estado Social que deveria utilizar o dinheiro para os mais necessitados e depois têm de ser as pessoas/cidadãos, desempregadas neste caso, que voluntariamente angariam meios e recursos para ajudar efectivamente os tais ditos necessitados.Mas isto é o menos.Então não é que o Ministério do Ambiente levantou coimas à dita associação que recolhia rolhas de plástico por as ter na propriedade de uma pessoa que a tinha disponibilizado gratuitamente para o efeito, porque não tinham licença para ter lá tais materiais?!
(agora em maiusculas):ENTÃO O TAL MINISTÉRIO DO AMBIENTE QUE EM UMA FRACÇÃO DIMINUTA DO TEMPO QUE ERA SUPOSTO NORMAL, DEU O LICENCIAMENTO AO FREEPORT, DE GRAÇA (E NÃO ESTOU A DIZER QUE FOI POR BRIBERIES), AGORA QUER ENTRE MIL E QUINHENTOS A TRÊS MIL EUROS DE MULTA POR CAUSA DA RECOLHA E ACUMULAÇÃO DE ROLHAS DE PLÁSTICO NO QUINTAL DE UMA PROPRIEDADE PRIVADA?
(continuo a escrever em maiusculas como sinal da minha indignação)ENTÃO, AQUELE CIDADÃO TRABALHOU SEM VENCIMENTO DURANTE TRÊS ANOS PARA UM PROJECTO COMUNITÁRIO, PARA DAR AOS NECESSITADOS O QUE O ESTADO (ESSE INDIGNO RECOLECTOR DOS NOSSOS IMPOSTOS) NUNCA FOI CAPAZ DE FAZER, PORQUE ANTES PREFERE DAR REFORMAS CHORUDAS ÁS ELITES QUE O CONTROLAM E À MAQUINA DE FUNCIONÁRIOS QUE O SUPORTAM, E AGORA TAMBÉM QUER UMA PARTE DA RECEITA QUE FOI OBTIDA PELA RECOLHA VOLUNTÁRIA DOS CIDADÃOS QUE RECOLHERAM E DOS QUE DERAM AS ROLHAS DE PLÁSTICO?
SENHORES, A ISTO EU CHAMO ROUBO!QUAIS LEIS QUE POSSAM EXISTIR E QUE FUNDAMENTAM AS COIMAS QUAL PORRA!
ISTO É UM ROUBO!ESTÃO A GOZAR COMIGO E COM OS DEMAIS QUE PAGAM IMPOSTOS, MAS MAIS IMPORTANTE, PRODUZEM VALOR ACRESCENTADO PARA O PAÍS!PORQUE ESSES SENHORES QUE PASSARAM A MULTA, E OS QUE FIZERAM A LEI, E OS QUE OS COMANDAM E OS QUE NOS GOVERNAM, NÃO PRODUZEM UM TOSTÃO FURADO DE VALOR ACRESCENTADO PARA A SOCIEDADE.
PARECE QUE ALGUÉM ANDA A BRINCAR COM OS CIDADÃOS
O PARADIGMA SOCIO-ECONOMICO ESTÁ ERRADO! SABEM O QUE ISTO QUER DIZER?
ESTOU FARTO, PORRA!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

AINDA A QUESTÃO DA FORMAÇÃO DE ACTIVOS EM PORTUGAL

As trinta e cinco horas de formação obrigatórias, segundo o Código do Trabalho, que as empresas devem disponibilizar aos seus colaboradores, estão a ser completamente ignoradas por todos os agentes que poderiam ter interesse nesta matéria.
Os primeiros interessados deveriam ser os próprios indivíduos, trabalhadores por conta de outrem ou mesmo por conta própria, que ignoram o facto de que só com mais conhecimentos e competências poderão aumentar a sua produtividade e, consequentemente, aumentar a sua relevância nos ambientes em que se inserem. Ninguém é indispensável, mas há pessoas mais ou menos relevantes para as organizações. Essa relevância só se adquire se a pessoa em causa detiver um conjunto de conhecimentos e de competências próprias que lhe possam granjear uma posição relevante na estrutura organizacional a que pertence. De outra forma, vai perdendo essa relevância e directa importância na organização, podendo esta substitui-la facilmente ou até mesmo eliminar a sua função. Assim, compete aos indivíduos adquirirem competências que os tornem relevantes para a organização, na medida em que se tornam fontes de criação de valor, directo ou indirecto, do qual a organização depende fortemente.
Os segundos interessados deveriam ser as organizações, nomeadamente as empresas. Para estas a formação e aumento de competências das pessoas só poderá trazer um efeito para as mesmas: aumento de produtividade. Nem é preciso discutir e apresentar evidências desta verdade inquestionável. Contudo, as organizações, na sua maioria, esquecem esta realidade e ignoram a formação dos seus quadros. Razões existirão em quantidade suficiente para as desculpabilizar, mas não para as perdoar. Na verdade, as organizações deveriam apostar fortemente na formação dos seus quadros estratégicos, na maioria das vezes a começar pelo empreendedor e gestor de topo que criou a empresa. Infelizmente, sendo este o fulcro principal da empresa, na medida em que foi muitas vezes o único com a capacidade de assumir o risco inerente à criação do próprio negócio, é o que menos identifica a necessidade de apreender e adquirir novos conhecimentos e competências. Assim, e como consequência, muito menos identifica a necessidade que os seus quadros têm em adquirir novos conhecimentos e competências. Deveriam ser os gestores de topo os primeiros a dar o exemplo e a fomentar a formação, começando por eles próprios, de forma a incutir nas suas organizações um espírito de ambição por aquisição de conhecimentos e competências.
O terceiro intervenientes neste processo é o Estado. Quando o mercado não funciona, o Estado costuma suprir essa falha através de algum tipo de intervenção, e neste caso específico, com a legislação que obriga a trinta e cinco horas de formação por empregado, para todos os empregados da organização, incluindo gerentes e administradores. O que surpreende é que tendo o Estado nesta situação em que assumiu uma posição intervencionista na tentativa de eliminar uma determinada falha de mercado, não faça mais nada do que apenas emitir legislação. E o controlo e fiscalização? Para quem ficam?
Esta é a questão. Sem a vontade de nenhum dos principais intervenientes, a formação, ou a falta dela, é apenas um fantasma que paira sobre as nossas cabeças, sem aparente ameaça, mas que nos vai matando devagar, sem darmos por isso.

sábado, 24 de janeiro de 2009

ONDE PODE FALHAR O POPH

Já era de esperar!
Com o actual programa do QREN e, consequentemente, do POPH, foi estabelecido que a prioridade maior em termos de formação profissional deveria incidir sobre a qualificação da população nacional, de forma a que nos pudéssemos aproximar da média de qualificações da U.E.
Assim, o grosso da coluna do financiamento comunitário, apoiado em menor parte pelo Orçamento de Estado Português, vai para a qualificação dos recursos humanos nacionais, no pressuposto que a obtenção do nível escolar correspondente ao 9º ou 12ºano de escolaridade nos irá dar mais competitividade a nível internacional.
Este propósito, de cariz essencialmente político, assenta no pressuposto de que a população activa terá melhor desempenho quanto maiores forem as suas competências. Todos entendemos que o aumento de competências humanas leva naturalmente a uma maior produtividade e eficiência. Contudo, um processo de qualificação pode não implicar necessariamente o aumento de competências.
Um diploma qualificante deveria, em princípio, significar a aquisição de uma determinada competência. Infelizmente, todos sabemos que não acontece assim, nem sendo necessário dar exemplos.
Isto para dizer que o facto de um determinado individuo possuir o certificado do 9º ou 12º ano de escolaridade tal não lhe confere nenhuma competência extra que lhe permita desempenhar melhor a sua actual ou nova actividade ou função.
Mas, mais importante ainda para os visados, a qualificação do 9º ou 12º ano de escolaridade não atribui a ninguém a melhoria automática dos seus actuais honorários.
Isto prenuncia que muito pouca gente estará interessada em adquirir qualificações que não tragam como retorno qualquer benefício monetário, por mais diminuto que seja o esforço envolvido para o efeito.
Desta forma, o programa POPH está com dificuldades em cumprir a taxa de execução a que se propôs.
Naturalmente que as pessoas, porque se trata de pessoas e não de objectos políticos, não estão na sua grande maioria interessadas em dispensar tempo da sua vida familiar e social para o dedicarem ao processo de aprendizagem, quando necessário, para a obtenção de uma qualificação mais elevada.
O operário agrícola ou industrial, de limpeza ou comércio, qualquer que seja a sua actividade profissional estará muito pouco predisposto a investir esforço próprio na sua formação profissional a não ser que a mesmo lhe venha a proporcionar algum tipo de melhoria para si próprio, especialmente de carácter retributivo.
Esta expectativa é natural e legítima.
O problema, não identificado a priori, é que muito pouca gente terá a predisposição para despender o seu tempo pessoal e familiar para adquirir qualificações que de nada lhe servem.
Apenas o objectivo político não é suficiente para mobilizar os cidadãos a embarcar numa campanha nacional que tenha como finalidade quase única a melhoria das estatísticas nacionais.
O país continua na mesma. As pessoas continuam sem competências, mesmo que tenham novas qualificações. A produtividade não melhorou, apesar do investimento feito e ainda a fazer. A competitividade nacional não se alterou, apesar da pretensa melhoria.
Está para provar o impacto que o investimento terá na economia real!
Talvez se venha a demonstrar que os pobres estarão ainda mais pobres no final deste processo.

sábado, 3 de janeiro de 2009

PORQUE RAZÃO O PEQUENO COMÉRCIO NÃO TEM FUTURO?

Na sua recente comunicação de Ano Novo, o Presidente da República aludiu ao perigo de extinção que os agricultores e os pequenos comerciantes correm neste ambiente conturbado de uma crise mundial que não tem fim à vista.
Foquemo-nos no caso dos pequenos comerciantes, o comércio tradicional.
Será que existem condições para que o pequeno comércio resista à evolução da economia capitalista?
Olhemos para o assunto sob o aspecto do estudo económico do valor criado por qualquer actividade.
Quando se produz um bem a partir de uma qualquer matéria-prima está-se a criar valor. Da mesma forma quando se semeia uma semente e se colhe o seu fruto, está-se também a criar valor. Ainda quando se realiza um serviço que resolva um qualquer problema ou traga bem-estar a alguém, está-se a criar valor.
E que valor é esse?
Esse valor é o que qualquer um de nós está disposto a pagar pela “coisa”, para a possuir sem que a tenhamos de produzi nós próprios. Se conseguimos produzir algo por um custo, expresso em tempo, materiais e conhecimento, que é inferior ao que alguém nos pede, ainda que expresso em dinheiro, naturalmente que não estamos dispostos a comprá-lo.
Enquanto os bens foram produzidos por artesãos que detinham conhecimento específico, difícil de adquirir, ou por agricultores que possuíam as terras e as sementes que lhes permitia produzir os bens agrícolas e animais, o estabelecimento do preço incluía uma grande parte de lucro, isto é, de valor para além do pagamento necessário para cobrir os recursos utilizados, como tempo, matérias e conhecimento.
Da mesma forma, quem comprava e transportava os bens para locais afastados do seu local de produção, para os poder comercializar, aplicava uma margem de lucro que ia para além do custo real dos recursos utilizados, como tempo, meios de transporte e de comercialização.
O lucro dependia da maior ou menor dificuldade que os compradores tinham para produzir e transportar eles próprios os bens adquiridos. As margens de comercialização (mark-up) chegavam a ser várias vezes o custo real de produção ou de aquisição, conforme a dificuldade em produzir ou adquirir o bem era maior ou menor.
Com a revolução industrial este paradigma alterou-se.
A possibilidade de produzir bens de consumo com muito menos recursos, ou seja, tempo, materiais e conhecimento utilizados, reduziu consideravelmente o preço de venda dos mesmos bens aos consumidores, o que por seu lado aumentou consideravelmente a possibilidade de aquisição dos bens por uma muito maior parte da população, que veio por sua vez possibilitar uma maior eficiência na sua produção e consequente redução de custo para o fazer.
Contudo, o sistema de distribuição continuou por muito tempo idêntico ao anterior à revolução industrial, com base na distribuição por via do pequeno retalho, de âmbito local e restrito a um pequeno número de consumidores. A falta de mobilidade foi a principal causa da tardia mudança de paradigma na distribuição de bens em grande escala, que durou até à segunda metade do século XX nos países ocidentais.
A facilidade de mobilidade dos consumidores contribui para o sucesso das grandes superfícies comerciais, que possibilitou uma muito maior procura e consequente volume de vendas, permitindo a diminuição da margem de lucro por produto mas um maior lucro por força dos grandes volumes de vendas. O surgimento de grandes cadeias, que repetem a sua localização por diferentes localizações, veio ainda possibilitar o incremento dos volumes de venda e consequente diminuição do preço dos bens.
Foi este movimento que criou a “democratização” de muitos produtos, possibilitando que franjas de consumidores com menos poder de compra passassem a poder adquiri-los.
Com excepção dos artigos de luxo ou alguns de carácter artesanal ou de alguma outra exclusividade, que são destinados a nichos de mercado muito específicos e de dimensões muito reduzidas, o pequeno comércio que não responda a uma necessidade de proximidade dos consumidores não tem possibilidade de sobreviver. Os consumidores simplesmente não o aceitam, porque tem uma alternativa que lhe exige despender menos recursos, ou seja, tempo, dinheiro e facilidade de aquisição.
Tentar contrariar esta realidade é como desafiar as leis da gravidade, para a qual ainda não temos resposta.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pura Ficção?! tomara que sim.

Obama recusa-se a tomar posse.

Com certeza que já é do conhecimento de todos a notícia avançada ontem já noite, 17 de Janeiro de 2009, de que B. Obama acabou de se recusar a tomar posse como Presidente dos EUA, a apenas três dias da data prevista para depois de amanhã, no seguimento do aviso que tinha feito há uma semana atrás, como manifestação de repúdio pela actuação do ainda Presidente G. Bush e dos mais altos dignitários militares norte americanos no conflito do no Médio Oriente e Europa, o qual está a assumir dimensões globais.

Tudo começou nos últimos dias de Dezembro passado com a invasão por terra das tropas Israelitas da Faixa de Gaza, o qual levou o Irão e de seguida a Síria a declararem guerra a Israel. O suporte Norte Americano, especialmente o de G. Bush, aos bombardeamentos de Teerão e Ancara pela aviação Israelita que destrui grande parte das infra-estruturas governamentais dos dois Estados, bem como a destruição das instalações nucleares Iranianas por Israel, provocou uma divisão na Europa e no resto do mundo que deu o que temos em mãos. Os Estados Islâmicos na sua quase maioria declararam guerra a Israel e aos seus aliados, neste caso os EUA. Até a Albânia, que quase não tem poder militar para garantir a sua própria segurança interna, se envolveu nessa declaração de guerra.

Temos o mundo Islâmico, salvo raras excepções como a Indonésia por temerem o poderio militar instalado no Pacífico e alguns países na faixa mediterrânica do Norte de África, a Líbia e Marrocos, por razões estratégicas que têm a ver com os acordos de não agressão com alguns países europeus, de um lado e Israel, os EUA, a Inglaterra, a Grécia (por causa da Turquia), a Austrália e a Índia, até ver, do outro lado. A pressão exercida pelos EUA sobre a França, Espanha, Alemanha e Itália tem sido enorme para que se juntem ao esforço militar, prevendo-se que quando um deles entrar no conflito os outros três e até mesmo países como Portugal, Polónia, Hungria, Roménia se vejam também na obrigação de participar nesta maldita guerra que cresce todos os dias.

B. Obama ameaçou que não assumiria a presidência de um país em guerra, especialmente provocada pela conduta do Presidente cessante, extremamente bélica e que defende os interesses dos militares e dos fabricantes de armamento e de outros produtos subsidiários à guerra, sem olhar aos interesses da população em geral, tanto dos EUA como do resto do mundo. A crise financeira e económica do ano passado deu em conflito, que se teme que ainda se generalize mais se a Rússia e a China entrarem no mesmo, sendo que parece que entraria um para cada lado da barricada.

Por outro lado, e contra o espírito de liberdade Norte Americano, G. Bush parece querer agarrar-se ao poder, agora que tem o suporte declarado de todas as hierarquias militares do país. As manifestações civis dos últimos dias a pedir o fim imediato do conflito, ou a saída dos EUA do mesmo de forma a que se apague a chama que mais o alimenta (o ódio dos países islâmicos aos EUA), bem como a saída de Bush da Casa Branca, foram fortemente reprimidas pelas forças policiais e militares, atingindo níveis de violência e de utilização de meios bélicos nunca vistos nos EUA.

Se Obama não assumir a presidência dia 20, facto inédito na história dos EUA, pode levar a uma crise política interna que põe em risco a própria democracia no país, e com repercussões nos sistemas políticos no resto do mundo, conforme opinião da maioria dos analistas políticos mundiais.

Desta forma, não é uma questão de guerra actual, é uma questão de que futuro pós-guerra nos espera em termos de regimes políticos dominantes. O totalitarismo parece estar a nascer em muitos países, e se tal vier a tomar forma, o mundo, como o conhecemos, irá desaparecer. O futuro nunca foi tão incerto como nos dias de hoje.

Nota: Este artigo é pura ficção hoje, 30 de Dezembro de 2008, mas poderá ser demasiado real nos próximos tempos. Esperemos que não.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Porque estamos em crise? E como e quem resolve a crise?

Este é um assunto que, apesar da enorme importância que o mesmo possa ter na vida de todos nós, a população em geral não parece querer discuti-lo. Parece existir duas grandes razões para tal: a primeira diz respeito à atitude passiva colectiva, em que se assume que se não fizemos nada para criar a crise, então não temos que fazer nada para a resolver, e os governos e os bancos que a resolvam; ou a segunda que diz respeito à ignorância existente sobre o assunto, por falta de conhecimento técnico ou falta de informação, pelo que “penas que não se vêm não se sentem”.

Não sendo especialista em macro economia ou sobre o sistema financeiro, tenho tentado encontrar informação que me possa ajudar a compreender o que se passa à minha volta (e agora é a crise que me rodeia por todos os lados, tanto a nível pessoal como profissional), sendo que encontrei nos mais variados fóruns muitas opiniões mais ou menos coincidentes.

A maioria dos comentários parece incidir num ponto: o actual sistema monetário/ financeiro/ bancário/ político/ et cetera está “podre”! Tornado podre pelo oportunismo de uma classe dirigente (do sistema) que se tem aproveitado das condições para sugarem, extorquirem, se apoderarem de avultadas riquezas (na forma monetária que rapidamente passaram para outras formas) e das fraquezas (há quem lhe chame dependência) da classe política, que cegamente abre o caminho legal para que uns poucos possam abusar da maioria.

O sistema capitalista parece estar a atravessar uma grave crise. Uma economia baseada na concorrência, na oportunidade, na acumulação de riqueza em apenas algumas mãos, no consumo desenfreado, na dependência do trabalho, et cetera é, para muitos líderes de opinião e especialistas, insustentável a longo prazo, sendo que se criarão polarizações extremas entre muito ricos e muito pobres, com m imenso vazio no meio.

Sendo este o problema, então a discussão deverá centrar-se à volta das alternativas que se poderão colocar ao mesmo. Várias já foram as tentativas no passado para apresentar alternativas que, como bem sabemos, acabaram por falhar. Mas isso não implica que não se tente encontrar ou criar uma alternativa ao sistema organizacional da sociedade e da economia que funcione sem causar as entropias e as desigualdades que o capitalismo cria.

Mas o que continuamos a observar é que o mundo (pelo menos o dos políticos e do sistema financeiro) está preocupado em resolver os problemas dos principais causadores da crise (os tais dentro do sistema) e não em eliminar as causas, em encontrar novas soluções para um problema que parece levar-nos progressivamente ao abismo. Continuamos a alimentar o mesmo sistema, o tal que está “podre”, sem se tentar encontrar um novo “paradigma societal”. Quanto tempo mais vamos nós viver até vermos a ruptura completa do actual sistema e os consequentes impactes que a mesma trará para a sociedade, sem que ninguém com obrigação para tal faça nada para impedir a “desgraça”?

Parece que nem esperança nos resta!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Mais um embuste

A Europa está preocupada. De tal forma que os países da UE resolveram implementar um plano de ajuda à economia europeia, com acções específicas em cada um dos países da união. Desta forma, o Governo Português acabou de anunciar um pacote de medidas de apoio ao emprego, à energia, às empresas, etc., de forma a revitalizar a nossa economia e evitar que a mesma entre em recessão, ou se já entrou, que a ajude a sair da mesma.
Não querendo entrar nos detalhes dos planos que o nosso governo desenvolveu, gostaria de abordar apenas um único aspecto desse plano. O reforço à capacidade de financiamento das PME, com mais um pacote que se vem juntar aos anteriores PME Investe I e II.
É sobre este ponto em particular que merece tecer umas breves considerações.
O programa PME Investe tem como objectivo facultar às empresas, principalmente às PME, financiamento a taxas de juros bonificadas. Para o efeito, o Estado compromete-se a suportar uma parte dos juros a cobrar pela Banca, o que para o primeiro programa PME Investe era de 1,25% e para o segundo de 0,5%, sendo que existe um limite mínimo de 3% que as empresas terão sempre de suportar.
Em meados de 2008, aquando do lançamento do PME Investe I, as taxas de juros praticadas pelos bancos para empréstimos, e em função da Euribor, andavam acima dos 5% ano. Se considerarmos que os mesmos bancos ofereciam na altura juros de mais de 5% aos depósitos a prazo, poderemos, facilmente, compreender que o juro bonificado pelo PME Investe I seria potencialmente inferior ao juro pago pelos bancos nos depósitos a prazo. Aqui estava uma oportunidade de negócio, assim pensaram muitos, que enquanto tivessem o capital do empréstimo na sua conta, à espera de fazer os devidos investimentos, até poderiam obter algum benefício extra com o diferencial dos juros pagos e recebidos.
O programa PME Investe II, que veio reforçar o primeiro, já só ofereceu 0,5%, o que torna esse esquema mais difícil de se obter, até devido ao aumento do valor percentual do spread que os bancos passaram a praticar.
Mas este não é o problema. O problema está no facto que as empresas que viram os seus pedidos de financiamento ao abrigo desses dois programas ainda continuam por “ver a cor ao dinheiro”. Mas desta vez, este atraso da burocracia que caracteriza as acções da nossa administração pública, e ao contrário do que quase sempre acontece, até veio beneficiar as empresas.
Vejamos um pequeno detalhe destas operações. O Estado suporta parte dos juros que os bancos cobram, 1,25 ou 0,5 porcento, no primeiro e no segundo programa respectivamente. Metade do valor do financiamento de cada empresa é garantido à entidade bancária que faz o empréstimo à empresa por um fundo de garantia mútua, retendo-se 1% do valor total do financiamento para depósito nesse mesmo fundo, o que leva a que o banco só assuma metade do risco. Contudo, os bancos exigem em muitos casos que a empresa garanta os outros 50 porcento do financiamento através de garantias reais, entenda-se aplicações a prazo no mesmo banco. Assim, e em contas rápidas de se fazerem, as empresas ficam com 49% do valor do financiamento para utilizar nos seus investimentos.
A acrescentar a esta realidade temos que com a descida constante da taxa de referência do BCE e, consequentemente, da Euribor, também por via das garantias disponibilizadas pelo governo à banca que tem trazido alguma confiança ao mercado financeiro, as empresas acabam por ter de pagar o valor mínimo de taxa de juros estipulado de 3%, o Estado acaba por pagar pouco ou mesmo quase nada e os bancos vêm os seus fundos reforçados, melhorando os seus rácios de solvabilidade. As empresas acabam por pagar todo este exercício de engenharia financeira que, se tivermos em conta a disponibilidade antecipada da informação ou a capacidade de influenciar as tendências da taxa de juros pelos partes que promovem este tipo de acção, assume um carácter maquiavélico que ultrapassa a compreensão da esmagadora maioria das pessoas.
Assim, às empresas que ainda não assinaram contrato nenhum no âmbito dos programas PME Investe, fica um conselho: rejeitem a oferta!
Às que pensarem candidatar-se à nova fase anunciada pelo Governo, façam bens as contas antes de perderem tempo com mais um embuste que nos querem oferecer.
Agora, fica ainda uma pergunta: se as empresas realizarem que não têm vantagens nenhumas com estes programas de ajuda ao investimento e não os utilizarem, para onde vão os vários milhares de milhão de euros anunciados pomposamente como a grande ajuda às PME?